Um CHAFARIZ na Vila de Visconde de Mauá! .

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ATUALIZAÇÃO fevereiro 2026

O CHAFARIZ  & A HISTÓRIA

©DomitilaBercht, 2026
 
Na fotografia a igreja de São Sebastião e a localização do chafariz desde sua instalação em 1910 até o ano de 2025,
 abril de 2011. ©Domitila Bercht  O chafariz na nova localização após ser restaurado, fevereiro 2026  ©Domitila Bercht

SUA INSTALAÇÃO E LOCALIZAÇÃO
 Conhecida pela comunidade como chafariz, a bonita torneira pública de ferro fundido está localizada no terreno do entorno do campo de futebol na entrada da vila de Visconde de Mauá, em frente à igreja de São Sebastião.

A instalação do chafariz foi realizada em 1910 pela administração do núcleo colonial. 
É importante lembrar que nesta área onde está o chafariz foi a SEDE do Núcleo Colonial de Visconde de Mauá, criado em 1908 pelo governo federal, quando comprou as propriedades que pertenciam ao comendador Henrique Irineu de Souza, filho do Visconde de Mauá. 
Ainda não havia a capela que foi fundada em 1912 e em 1934 tornou-se a igreja de São Sebastião.
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©DomitilaBercht

PORQUE CHAMAMOS DE CHAFARIZ
O projeto Memórias da Vila respeita o nome Chafariz baseado em informações nos documentos oficiais que se referem a este patrimônio desde a sua instalação em 1910. Chafariz, foi  e é assim chamado pela comunidade o que revela um aspecto importante na identidade e pertencimento desta gente que aqui vive. 
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DESCRIÇÃO
Peça em ferro fundido em formato cilíndrico com encaixe para torneira, corpo com detalhes em relevo  e no topo finalizado com o adorno de uma pinha.
MEDIDAS: ? altura    x    diâmetro
©Domitila Bercht

INFORMAÇÕES ESTAMPADAS EM RELEVO 

HIME & Cia. 
32 T.OTTONI 32 
RIO DE JANEIRO

Um aspecto curioso na estampa é que  endereço corresponde ao do escritório da  Hime & Cia. no período de 1900 - 1908.

FABRICAÇÃO 
Até o presente momento nossa pesquisa não confirma que a fabricação desta peça foi no Brasil.
A Hime, uma empresa inglesa era uma importadora de artigos dentre os quais tinham peças em ferro fundido. 
O fato de ter a estampa com um endereço de escritório e não do setor de produção nos deixa a pergunta, teria sido fabricado na Inglaterra, ou ter componentes importados e na estampa o endereço do escritório no Brasil?! 
Em 1896  a empresa HIME passa a ser HIME & Cia, eram os maiores fabricantes de artigos em ferro e bronze da América do Sul. Vendiam os artigos às autarquias e repartições públicas. E este chafariz foi adquirido pelo governo federal para sua instalação no núcleo colonial em 1910.
1900-1908 a HIME & C. informa seu endereço de escritório à rua Theophilo Ottoni, 32
Rio de Janeiro.
1909 a HIME & C. informa seu endereço de escritório à rua Theophilo Ottoni, 52.

 
FONTE: Almanak Laemmert: Administrativo, Mercantil e Industrial .Rio de Janeiro. BN DIGITAL - hemeroteca
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O CHAFARIZ & O ABASTECIMENTO DE ÁGUA
 NA VILA DE VISCONDE DE MAUÁ

©Domitila Bercht

Este chafariz certamente cumpriu e cumpre a função de fornecer água aos viajantes e seus animais. Historicamente sabemos que os cavaleiros e tropas seguiam por trilhas que cortavam o trajeto da estrada, a atual RJ163/estrada-parque. Aos poucos com o uso de automóveis e caminhões a estrada passou a ser o principal acesso à região. É possível imaginar a entrada da vila , que foi sede do núcleo colonial (1908-1916) como um ponto de referência por onde passavam as tropas, os carros de boi, que traziam e levavam gente e cargas.  
E lá está o chafariz na "chegada" pra quem mora e pra quem visita a região.
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Encontramos alguma informação sobre o abastecimento de água canalizada neste arraial, a vila de Visconde de Mauá, localizado na zona rural, distante da cidade. 
O Núcleo Colonial Visconde de Mauá foi criado e instalado pelo governo federal portanto as características de sua construção e administração estão de acordo com os decretos federais, isto nos faz entender que naquela data não houve relação direta com a administração de Resende. Esta consideração se faz necessária pois há uma tendência em se tratar historicamente esta localidade no que diz respeito ao planejamento, urbanismo, saneamento etc fazendo relação com a história da cidade de Resende. No período do núcleo colonial de 1908 -1916 a administração era através do governo federal. 
Sobre o tema abastecimento e  água canalizada encontramos referências porém vamos trazer esta informação no momento oportuno.
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PATRIMÔNIO PÚBLICO

Nota-se a relação de afeto com este equipamento que traz água de beber pra esta comunidade.
Os moradores com quem conversamos todos se lembram do chafariz desde que conhecem este lugar, tanto os que aqui nasceram, cresceram como os migrantes que aqui um dia chegaram.
Quando a pergunta é sobre "aquela torneira" vem imediatamente a correção: o chafariz.
Ainda que os gestores públicos não tiveram o zelo merecido com este precioso patrimônio, a população sempre teve este equipamento com importância no seu cotidiano.
 O chafariz fica próximo à casinha que é o vestiário do campo de futebol.  Os moradores mais jovens dizem que o chafariz serve pra quem joga futebol beber agua.
Março 2022. ©Domitila Bercht
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LEMBRANÇAS
O chafariz existe há muitos anos, é muito antigo! Quando eu era menina já existia. 
Ainda tem água e tem moradores que lavam o carro ali.
(depoimento - Maria das Graças Fest - "Graça", outubro de 2021)
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O chafariz é muito antigo! Já tentaram roubar! Teve inclusive um governador que quis tirar e ninguém deixou. Foi uma briga! A torneira roubaram.
(depoimento - José Alberto Armondi, novembro de 2021)
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Quando eu cheguei (1945) já tinha o chafariz ali. As casa tinham água encanada...
Usava pra lavar o rosto, pra se lavar depois do futebol que jogava logo ali mesmo.
(depoimento - Luiz Teixeira, agosto 2022)
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A Vó Nica  dizia:  - "Vamos buscar uma água no chafariz?!..." Mas meu pai não deixava.
A Vó Nica tinha uma vizinha que morava na mesma rua na primeira casa depois da casa dos Quirino. 
Ela e a comadre iam buscar água no chafariz e também buscavam lenha no mato onde hoje é o bosque do PEPS.
(depoimento - Solange Machado Monteiro -"Sossô", novembro 2021)
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CHAFARIZES  E  TORNEIRAS PÚBLICAS
O chafariz é uma construção com uma ou mais bicas (canos, tubos) por onde corre constantemente a água que cai num tanque que na maioria das vezes faz parte de um conjunto arquitetônico, uma fonte.  
A torneira pública é uma instalação simples para fornecimento de água potável com uma torneira que permite a regulagem do uso desta água e um mínimo de padrão de higiene. 

O ABASTECIMENTO DE ÁGUA NO BRASIL
Em nossa pesquisa encontramos informações sobre torneiras públicas localizadas em cidades no interior do estado de São Paulo datadas do ano de 1902.
Antigamente as populações usavam a água de rios, riachos e córregos. No Brasil Colonial algumas cidades, na falta de abastecimento de água encanada, construíram chafarizes onde a população se servia e ali mesmo dava de beber aos animais. Ainda se referindo às cidades, que não é o caso desta região, o abastecimento de água canalizada para as casas foi acontecendo gradualmente e em algumas localidades instalaram as torneiras públicas.
O que encontramos a respeito foi que curiosamente as populações chamavam as torneiras públicas de chafariz mesmo que estas tivessem uma apresentação bem diferente deste importante patrimônio muito comum no século anterior. (FONTE: História & Outras Histórias por Marta Iansen.)
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VISCONDE DE MAUÁ 
NÚCLEO COLONIAL
Meta Büttner lavando roupas no rio Preto
© acervo Bühler (esta fotografia pertence à família Büttner)

O Núcleo Colonial foi instalado no Vale do Rio Preto, rio que une terras fluminenses e mineiras.
 A sede do núcleo estava às margens do rio Marimbondo e rio Preto e alguns lotes recebiam as águas de córregos. Um território que hoje chamamos de região de Visconde de Mauá, localizada na Serra da Mantiqueira que é especialmente rica em recursos hídricos.
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CHAFARIZ NA FREGUESIA DE VARGEM GRANDE
Pedra Selada, antiga Vargem Grande, igreja e chafariz, 2025
 ©Domitila Bercht

A história não foi diferente quando falamos ainda no município de Resende, neste caso na localidade de Pedra Selada antiga Freguesia da Vargem Grande tem um chafariz com data anterior ao de Visconde de Mauá.
Daquele chafariz de origem francesa datado de 1876 haviam mais 2 exemplares no município de Resende. Curiosamente foram "roubados" e há informações que estas peças estariam uma em Minas Gerais e a outra numa residência em Resende compondo a decoração de um ambiente de alguma família. Interessante o desinteresse do poder público na recuperação e resgate deste patrimônio
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O projeto Memórias da Vila vem trazendo destaque na apresentação do patrimônio publico de Visconde de Mauá, sempre que possível, com o objetivo de informar e  promover o reconhecimento e a sua valorização. É possível notar nos últimos anos a mudança no "olhar" para este patrimônio e um comportamento de pertencimento por parte desta comunidade. Mas ainda assim é bom lembrar que se trata de patrimônio público e assim sendo este pertencimento deve estar para todos.

IMPORTANTE  PATRIMÔNIO - publicamos em abril de 2022
É preciso o reconhecimento histórico e cultural para que se promova a valorização e a preservação deste bem como um patrimônio importante para esta localidade e sua comunidade. É visível o descaso por parte dos gestores públicos, tanto no aspecto de sua conservação, manutenção e dos cuidados na área onde se encontra instalado. Está totalmente abandonado às intempéries. Sua torneira infelizmente vai ser sempre roubada porque o vandalismo está cada vez mais presente nesta comunidade. A torneira que não era a original mas era de metal foi substituída por uma de plástico. Enquanto isso não acontecia ficou tampado de forma precária e quando instalaram a torneira de plástico viraram na posição errada, um jeito que demonstra a falta de respeito para com este patrimônio. Também em consideração ao seu valor poderia ser estudada a possibilidade de ao invés de "esconder" e reduzir sua importância no cenário em que se encontra, quem sabe criar um canteiro em formato de ferradura  que marque o local onde ela se encontra, com plantas baixinhas e flores de forma graciosa e bem apresentada. Quando me refiro a canteiro não considero necessário nenhum tipo de mureta ou acabamento, simplesmente tirar a grama e tratar a terra. Um canteiro assim ficaria bem simpático e elegante e não tiraria a importância deste bonito chafariz

O CHAFARIZ SUMIU - publicamos em agosto de 2025
Num dia desses uma moradora veio me perguntar se eu saberia informar o paradeiro do "chafariz" que desde o início de agosto não se encontra mais no local. Diz ela que perguntou ao pessoal da prefeitura e eles não sabiam informar a respeito.
Respondi que desconhecia deste fato.
Mas em seguida encontramos um outro morador que viu a retirada do "chafariz", segundo ele por moradores conhecidos, "no sol quente". Foi um serviço demorado, diz o morador.  
De minha parte como moradora  o que posso esperar é que o "chafariz" receba o merecido cuidado e que seja preservado em suas características diante do valioso e importante patrimônio público que este representa.
Acho interessante  saber que a comunidade está atenta ao patrimônio e suas memórias. Mas nada por aqui impede que ela, a população, infelizmente seja ignorada, como tem sido nas últimas decisões por gestores públicos e representantes do comércio desta vila e região. 
De agosto a dezembro de 2025 ficou na memória a falta que fez quando sumiu sem a menor comunicação aos moradores que ficaram perplexos com o fato. ou quando a torneira não funciona, quando não sai água. Faço aqui mais uma observação porque sinceramente é bem preocupante a situação quando se imagina a possibilidade de alguém decidir "dar um trato" nesta peça.
Esta torneira pública, o chafariz, merece um tratamento aos cuidados de um profissional especializado.
E sobre não comunicar a população ignorando-a  proponho aqui uma reflexão sobre a responsabilidade de uma atitude destas, o que se deve esperar das pessoas que notarem de algo que "sumir" como foi com o chafariz?! 

O CHAFARIZ VOLTOU - publicamos em dezembro de 2025
É preciso deixar aqui registrado meu alívio com relação aos cuidados dedicados ao já famoso chafariz.
Lá estava o chafariz restaurado com uma limpeza e tratamento e felizmente mantendo suas características originais.  Instalado sobre um piso de pedras encontra-se numa apresentação diferente da que conhecemos nas últimas décadas porque o chafariz tinha sua base fincada no gramado.
A torneira que já passou por tantas mudanças, depois de sua restauração está apresentada com um bonito exemplar antigo e muito harmonioso. 

A torneira antiga fevereiro de 2026 ©Domitila Bercht

A TORNEIRA - publicamos em fevereiro de 2026
A torneira deste chafariz é algo complicado, já passou por várias adaptações. A torneira original que não temos nenhum registro fotográfico até o presente momento, dizem que foi roubada. Depois do restauro em 2025 como citamos acima e registramos nas fotografias mesmo não sendo original ficou bem apresentada.
Estamos no mês de janeiro e a torneira já não tem mais a borboleta de abrir e fechar porque por conta de um vazamento resolveram fechar o registro de água. As pessoas vão buscar pela água e giram, giram e  como não sai água da torneira continuam girando até que a tal borboleta solte. Com receio de que esta peça suma, uma moradora resolveu guardar. Por sorte ela apareceu no dia em que fomos fotografar o chafariz e depois de uma prosa foi possível entender o que estaria acontecendo. Que pena... Esperamos que em breve a situação se resolva pois como já citamos este patrimônio faz parte do cotidiano da gente que ali vive e dos que visitam.

UM SUPORTE QUE NÃO RESISTIU - publicamos em fevereiro de 2026
Perguntamos ao Luiz Teixeira sobre uma peça fixada na parte inferior da coluna do "chafariz" e ele nos respondeu:
Tinha um toco de ferro que era abraçado nele que era lugar de por lata d’água pra pegar... 
Era um suporte grande assim que punha a lata d’água ali e abria a torneira.
(depoimento - Luiz Teixeira, agosto 2022)
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Na parte de baixo do chafariz tinha uma peça como um banquinho que nós sentávamos e abríamos a torneira pra ficar debaixo tomando um banho. Era muito divertido, coisa de criança.
(depoimento de morador que cresceu ali no entorno, janeiro 2026)
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O PROJETO MEMÓRIAS DA VILA & A COMUNIDADE
Há um comportamento curioso com relação à comunidade e o meu trabalho de pesquisadora.
Sou moradora na região de Visconde de Mauá desde 1991 e na vila de Visconde de Mauá desde 1995.
Com uma certa frequência sou consultada como pessoa responsável pelas questões voltadas à memória. É importante mais uma vez esclarecer que meu trabalho como estudiosa e pesquisadora das memórias no projeto de minha autoria o "Memórias da Vila" em Visconde de Mauá, aqui na Serra da Mantiqueira, é um trabalho que venho realizando como voluntária sem recursos financeiros para tal. Saiba mais sobre o projeto na APRESENTAÇÃO clicando aqui
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